Chega do menos ruim

janeiro 22, 2018 9:51 am

Com Lula fora das eleições – e ele estará fora das eleições se ainda houver justiça no país – o cenário político de 2018 começará a se alinhar. Com a possibilidade do abandono da discussão do antilulismo para inaugurar um novo e revolucionário processo de escolha de candidatos ao Executivo, que pareça menos com a paixão desarrazoada de um torcedor de futebol e mais com a escolha ponderada de quem vai contratar um empregado.

No fundo é isso: o eleito trabalha para os eleitores e deveria ser escolhido pelo que já demonstrou ser capaz de realizar, pelos exemplos que soma e pelos valores que representa. E não porque trocou mais favores com os prefeitos e vereadores, aliciou mais deputados ou cooptou mais entidades.

O cenário que começa a se desenhar vai fornecer, nas várias instâncias, a possibilidade de escolha de pessoas que não faziam parte da política, mas que resolveram que já é tempo de retomar o espaço público – de garantir que os interesses que povoam o espaço político possam ser os da população eleitora e não os da minoria eleita. Essas são as escolhas naturais, não pela novidade que possam representar, mas pela condição de contribuição, de disrupção que apresentam.

Talvez se recuperarmos a noção de que a política não deveria ser profissão, que o político não deveria ser um sujeito deslocado da realidade social e que os compromissos dele não podem ser estabelecidos com os outros políticos – mas com a maioria dos eleitores –, as coisas possam ser diferentes em algumas décadas. Isso mesmo, décadas. Não há soluções de curto prazo para o desastre político do país. Mas se não começarmos já, nem a longo prazo teremos qualquer avanço.

Ao contrário, se não formos capazes de evoluir o processo de escolha eleitoral do país, o mais provável é que continuaremos a ser um país de segunda importância, uma economia periférica e o lugar de onde a maioria quer sair (ou fugir) sempre que tem oportunidade.

Por isso, escolhendo nada menos do que seis cargos esse ano (deputados estadual e federal, dois senadores, governador e presidente), coloque-se no lugar do recrutador de recursos humanos da maior entidade com a qual você já se relacionou – e a que mais é capaz de lhe prejudicar ao longo da vida.
Em Minas, espero que a sanidade tenha uma chance de prevalecer…

Quem sabe se escolhermos os candidatos que possam mudar a realidade – ao invés daqueles que menos nos desagradam –, chegamos à eleição de gente que efetivamente mereça ser eleita…

Texto originalmente publicado no jornal Hoje em Dia – 22/01/2017

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