Chegamos a mais uma Copa do Mundo

junho 4, 2018 12:05 pm

Todos se lembram de que foi em meio aos preparativos para a Copa de 2014 que eclodiram no Brasil, ainda em 2013, os protestos que mobilizaram o país e foram se arrastando por meses a fio, a culminar nas mobilizações pelo impedimento da presidente Dilma.

Outra Copa chegou e o que mudou desde lá?

Nem as obras da Copa estão completas por aqui, mesmo quatro anos depois. Quase todas as cidades continuam esperando a finalização das promessas de infraestrutura, como a expansão do metrô de Belo Horizonte , o VLT de Cuiabá, os corredores de ônibus em quase todas as capitais do Norte e Nordeste…

E na política, o que efetivamente mudou?

O presidente é tão envolvido em corrupção quanto sua antecessora; a polarização política continua arrastando o país para as escolhas entre os populistas de um lado ou de outro; as reformas pouco avançaram (com exceção da trabalhista)…

Apesar de tudo estar mais ou menos parado onde estava quatro anos atrás, as pessoas não estão na rua.

Os desanimados de plantão, fatalistas e descrentes vão afirmar que foi “fogo de palha”, que “tudo continua como antes”.

Eu não acredito!

Apesar de saber que as mudanças são ainda tímidas, percebo, vivendo o lado de dentro do ambiente político há quase dois anos, que o cenário mudou e, em 2018, teremos a oportunidade de virá-lo de forma definitiva.

Os políticos tradicionais estão acuados. Alguns presos, vários investigados e processados. Um caminho sem volta na direção da limpeza do espaço público se, neste ano – e em 2020 e para sempre, a partir daí – as pessoas de bem voltarem a ocupar os espaços públicos.

Os políticos corruptos não dominaram completamente as eleições de um dia para o outro – eles foram se instalando gradativamente, à medida em que o cidadão “comum” se afastava dali.
Não teremos nunca um ambiente político livre de corruptos, porque a humanidade é assim, falha. Mas a amostra que está hoje na política brasileira está claramente contaminada, representando não uma média do que somos, mas o pior entre nós.

Parece que pouca coisa aconteceu em quatro anos, mas as ferramentas para destruir o mecanismo já estão colocadas. Agora é mesmo uma questão de tempo e perseverança, vigilância e constância. O desafio é lembrar, a cada eleição, a cada julgamento, a cada oportunidade, que nós não nos esqueçamos do que eles fizeram e o que eles representam.
Quer mudar? Parta para cima; faça com que a próxima Copa já nos permita reconhecer um outro Brasil.

 

Texto originalmente publicado no jornal Hoje em Dia – 04/06/2018

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