Dinheiro para quem precisa

novembro 6, 2017 4:04 pm

A maior parte do dinheiro arrancado da população por meio da cobrança de impostos é utilizada no que ficou conhecido como “atividade-meio”, ou seja, ao invés de ser gasto com o atendimento “na ponta”, é usado pela burocracia estatal para continuar se retroalimentando em um ciclo vicioso e crescente, que desperdiça cada vez mais servidores e recursos para cuidar dos servidores e recursos já desperdiçados…

Nesse momento a Câmara de BH está discutindo e se preparando para votar o PPAG – Plano Plurianual de Ação Governamental e a LOA – Lei Orçamentária Anual. É o momento em que os vereadores recebem a proposta de gastos do executivo para os próximos anos e avaliam a qualidade e adequação dos programas propostos, apresentando as emendas necessárias para ajustar aquilo que precise de atenção.

Como estou economizando aproximadamente R$ 1 milhão por ano com o meu gabinete, decidi apresentar uma emenda para retirar exatamente esse valor do orçamento da Câmara para colocar em algo que considero muito mais importante: ampliação de 2.000 vagas da “Escola Integrada”, o programa municipal que garante que os alunos fiquem mais tempo na escola.

Estou alocando outros R$ 200 mil das reservas de contingência, que tradicionalmente ficam à disposição de cada vereador para alocação, na ampliação do monitoramento da cidade por câmeras, com evidentes consequências positivas para a segurança das pessoas.
Sou contra as tais emendas parlamentares vinculativas, usadas, onde existem, como verdadeiro mecanismo de compra de votos. Mas entendi que seria importante dedicar essa minha economia a uma utilidade efetiva.

Tenho certeza de que mais vagas de escola integral e mais câmeras nas ruas são medidas muito mais importantes do que um gabinete com 20 assessores, dois carros, motorista, R$ 6 mil por mês de correio ou celular bancado pela Câmara.

Usar o dinheiro público com mais responsabilidade é o mínimo que se espera de quem se coloca como agente político e deveria ser mais cobrado pela população, que está cansada de bancar mordomias e desperdícios.

Não posso concordar que a Câmara Municipal custe R$ 240 milhões. Não posso concordar que considerem normal, enquanto isso, faltar vaga em escola integral, fita de glicose em posto de saúde ou guarda municipal nas ruas. Se não sou prefeito – e, por isso mesmo, não conduzo a execução do orçamento -, posso ao menos contribuir com aquilo que eu mesmo sou capaz de gerar como economia e incentivo a que outros façam o mesmo.

Vamos garantir que cada pequena economia seja feita e que cada recurso possa ser melhor utilizado. E, ao final, talvez seja possível entregar serviços públicos de melhor qualidade.

Texto originalmente publicado no jornal Hoje em Dia – 06/11/2017

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