Governar para quem precisa? Melhor não precisar

dezembro 11, 2017 11:57 am

“Governando para quem precisa”. O slogan da PBH me incomoda desde o lançamento. Será que alguém não precisa? Ou será apenas uma forma de acariciar o ego de cada eleitor? Nenhuma das situações é ideal. Ou a prefeitura está enganando as pessoas porque quer fazer acreditar que cada necessidade individual será atendida; ou está declarando que governa para uns, mas não para outros. Essa não é a fórmula democrática de administração pública. Quem precisa?

Parece ser apenas uma peça publicitária. Não acredito sequer que haja uma visão clara, por quem administra BH, sobre quais são os que precisam ou do que efetivamente precisam.

Aliás, a “colcha de retalhos ideológica” – como chamei em outra oportunidade o secretariado – mostra um desprendimento do prefeito com relação a grupos específicos ideológica, social, econômica ou religiosamente caracterizados. Nesse ponto é um mérito: governos não podem ser sectários.
O demérito, portanto, não está em montar secretarias sem um alinhamento específico, mas, ao contrário, está em tentar vender a falsa imagem de que o governo possa se estruturar para atender apenas a certos interesses.

Ninguém monta um governo dizendo fazê-lo para os ricos, apesar de ser o que ocorreu no Brasil durante quase toda a sua história. Ninguém anuncia que governará apenas para testar premissas mirabolantes da pseudo-elite-intelectual, como de fato acabou sendo feito pela esquerda. O que a mensagem tenta transmitir é a equivocada e preconceituosa ideia de que, em uma democracia, há quem mereça mais do que outros – não porque tenha trabalhado ou feito por merecer qualquer coisa, mas porque, nesse procedimento interminável de vitimização, se escondem alguns grupos que vivem da exploração da miséria alheia. Anunciam merecedores de proteções e, ao invés de promoverem a autonomia deles, apenas reforçam uma estrutura equivocada de incentivos econômicos e institucionais, distribuídos sem qualquer possibilidade de resultado útil – que não a debilitação da pessoa, que permanecerá sempre na posição de dependência.

É um tipo velho e grave de preconceito, denunciado há muito por Ayn Rand: vivemos a era da inveja, a perseguição contra o bom, o ódio ao mérito… Essas atitudes são responsáveis pela coroação da mediocridade e pela condenação de uma sociedade à estagnação econômica e intelectual.Espero que seja apenas um mote publicitário. O governo deve ser para cada um, segundo sua disposição de participação, sua capacidade de produção e seu empenho de entrega. É assim que se constrói uma sociedade mais justa, sem apadrinhamentos, vitimização ou polarizações estúpidas.

Governo bom não é o que atende a quem precisa, mas o que consegue garantir que ninguém precise!

Texto originalmente publicado no jornal Hoje em Dia – 11/12/2017

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