Verdades e conveniências

novembro 27, 2017 9:39 am

Todos os dias, invariavelmente, alguém me pergunta: “e aí, o que você está achando da Câmara?”.
Não sou dado a meias palavras e, por isso, respondo a verdade. Vejo que alguns se assustam, mas não vou começar agora a desenvolver versões convenientes da realidade… Para fechar, normalmente eu digo: “Mas não posso reclamar. Ninguém me obrigou a ser candidato!”. E a reação, nesse ponto, é sempre curiosamente positiva, com variações do: “Se nós não começarmos a nos envolver, quem vai resolver isso?”

É porque as pessoas que me abordam estão realmente interessadas em ver as entranhas do poder expostas, um verdadeiro choque de “verdades”, sem a fantasia usual do mundo oficial ou o olhar indiferente das ruas de outros tempos.

Com a imprensa, a dinâmica não é muito diferente. Perguntam e eu respondo – não vou esconder minhas opiniões ou amenizar os fatos para ficar bem com o mundo político. Até porque política deveria ser feita com foco em quem está do lado de fora (trabalhando e produzindo) e não focada em quem está do lado de dentro (obcecado por reeleições).

Não é sem motivo, portanto, que vários vereadores e políticos de outros posicionamentos se ressentem das minhas posições públicas, do meu uso das redes sociais e até do meu tom de reprovação quanto a várias das posturas comuns em plenário. Lamento que isso custe o bom convívio, mas não fui eleito para agradar – fui eleito para combater o status quo.

Meses atrás, em uma entrevista, perguntaram se não me sentia isolado. Respondi, novamente, a verdade: não vou à Câmara para fazer amigos – eu já os tenho. Alguns entenderam como uma declaração de guerra, mas é apenas mais uma prova da falta de hábito do ambiente político com verdades simples.
Aos poucos acredito que este ambiente vá se transformar, para que as cortesias de conveniência e as manobras e esquemas possam ser substituídas por mais compromisso com essas relevantes e graves verdades que continuamos tentando esconder – inclusive a mais grave delas, que a maior parte dos políticos insiste em dissimular: falta dinheiro porque o desperdício é grande.

Até lá, vou continuar esbravejando. Mesmo que seja ao custo de ser tomado por mal humorado ou arrogante, até que tenhamos número para fazer as mudanças no voto. Pode parecer que o resultado é miúdo, dado o tamanho do desafio, mas eu acredito em mudanças graduais, a partir de mais informação. Elas começam exatamente a partir dos incômodos que as verdades sobre o mundo oficial têm despertado. Como diria meu avô: o capim está tão alto, que até foice cega faz diferença! Espero ser mais do que uma foice cega, mas tenho certeza de que podemos fazer a diferença.

Texto originalmente publicado no jornal Hoje em Dia – 27/11/2017

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