Voar com o chapéu alheio

junho 11, 2018 12:57 pm

Desde que tomei posse como vereador, há uma rotina no gabinete para garantir que todas as publicações relativas a empenhos de despesas e contratações da Prefeitura e da Câmara sejam acompanhadas.
Foi com um misto de surpresa e espanto que, na quinta-feira da última semana, deparei com uma publicação de relatório de despesas do procurador-geral do município, relativamente a uma viagem de um dia a Brasília, em 3 de maio, para “reunião” com o Ministro Barroso, do STF. Até aí, tudo bem – estamos falando da defesa dos interesses judiciais do município. O absurdo foi o valor destacado: R$ 63.100.

Como um servidor público pode gastar R$ 63.100 para fazer uma viagem de um dia para Brasília?

Quem autorizou essa despesa? E qual a sua justificativa?

Essas são perguntas que, aparentemente, passariam sem resposta se eu não tivesse ido à tribuna para levantar o tema e pedir explicações. Até aqui, o que se sabe é que um avião foi fretado – o que já seria por si só um absurdo, já que contamos com uma dúzia de voos diários de Confins para Brasília.

O procurador não poderia ir em um voo de carreira? Estariam todos lotados? Não acredito.

Se estivessem lotados, ainda assim, não se cogitou a viagem de carro? De ônibus?

Provavelmente não, pois os gestores públicos brasileiros continuam se comportando como se o dinheiro público não tivesse dono. Afinal, o que é de todo mundo, não é de ninguém… Chega! Eu não aceito esse tipo de comportamento e foi por isso que me candidatei. Como sempre repito: me candidatei exatamente para criar obstáculos a esse tipo de comportamento adoecido.

Aliás, vale lembrar que no início do ano passado o prefeito foi duramente criticado pelo fretamento de um avião para ir a uma reunião em Brasília, com o presidente Temer – mas gastou menos de R$ 30.000 para fazer a gracinha, naquela época… Um ano depois, o procurador-geral do município gasta mais que o dobro para fazer o mesmo trecho…

Sinceramente, não quero saber o que ele foi fazer em Brasília. Não quero uma cortina de fumaça sobre o fato, definitivo, de que a despesa é inaceitável, deve levar à abertura de investigação imediata e restituição dos valores, com responsabilização dos envolvidos e criação de procedimentos que impeçam que esses absurdos voltem a ocorrer.

Quando se fala em mordomias e privilégios para a elite dos servidores públicos e dos políticos no Brasil, é exatamente desse tipo de absurdo que se está falando. Não dá mais para aceitar que essas coisas sejam tratadas como normais.

Este ano, não reeleja ninguém. Está na hora de começar a cobrar a conta de quem vem rasgando dinheiro público sem nenhum compromisso ou consequência.

 

Texto originalmente publicado no jornal Hoje em Dia – 11/06/2018

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